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Da Paixão de Jesus ao buraco negro

14/04/19 07:00
João Jabbour

Uma foto desfocada foi comemorada na última quinta-feira como um dos maiores feitos científicos da história da astronomia. Pela primeira vez o homem fez uma imagem real de um buraco negro. Na verdade, uma mulher: a cientista norte-americana Katie Bouman, que já é celebridade na internet após a divulgação desse intrigante corpo celeste, na galáxia M87, a 500 quinquilhões de quilômetros de distância daqui.

Parêntese: a ideia de buraco negro para nós, brasileiros, é mais familiar, não fica tão longe e está associada com a política, cheia de imagens bem nítidas, como malas de dinheiro, encontros espúrios no meio da noite em pizzarias, restaurantes, palácios e os cofres públicos cheios de 'buracos negros', alguns agora bem visíveis a olho nu.

Mas, deixemos as analogias para lá. De acordo com a Teoria da Relatividade Geral, de Einstein, um buraco negro é uma região do espaço da qual nada, nem mesmo partículas que se movem à velocidade da luz, podem escapar, pois a sua velocidade é inferior à velocidade de escape desses corpos celestes infinitamente densos.

Não entendeu? Eu também não, mas parece ser alguma coisa muito importante para nossa compreensão do universo, principalmente sobre como tudo começou, onde estamos e para onde vamos.

Aliás, na semana que começou na última quinta-feira, os cristãos comemoram sua data mais importante - a Semana Santa, que celebra a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

O Cristianismo explica nossa origem pela Teoria Criacionista. O criacionismo se baseia na fé da criação divina, como narrado na Bíblia, no livro de Gênesis, segundo o qual qual Deus criou todas as coisas, inclusive o homem.

Em contraponto, existe a Teoria Evolucionista, elaborada por Charles Darwin, que se assenta em pesquisas científicas. Os evolucionistas acreditam que os gases existentes em um ambiente primordial teriam formado as primeiras moléculas orgânicas e mais tarde os primeiros seres vivos.

Há muitos argumentos embutidos nas duas teorias. O Criacionismo diz, por exemplo, que os fósseis são animais atrasadinhos que não conseguiram embarcar na Arca de Noé a tempo de salvarem-se do dilúvio. Já o Evolucionismo advoga que o homem e os demais seres vivos são resultado de uma lenta e gradual transformação que remonta há milhões de anos.

A convivência entre os defensores das duas teorias já foi difícil no passado. Hoje em dia, apesar de ninguém ser declarado o vencedor desta pequena disputa secular, a convivência é bem mais harmônica. Tanto que há uns dois anos o papa Francisco afirmou que ambas as teorias podem ser aceitas. Se ele falou...

Um dos problemas deste debate é como ensinar à garotada nas escolas. O professor deve dizer que são teorias antagônicas ou não excludentes?

Há controvérsias. Em um país tão católico, como expor a Teoria da Evolução, por exemplo, sem ferir crenças religiosas dos alunos? O contrário é menos complicado, porque o Criacionismo soa bem aos ouvidos majoritariamente cristãos das famílias. Mas há que se lembrar que o Estado é laico.

De qualquer forma, a semana registra dois grandes eventos envolvendo ambas as teses que povoam o imaginário do ser humano. Enquanto não se descarta uma ou outra, são discussões que engrandecem a civilização e sobre a qual todos deveriam se debruçar ao menos algumas poucas horas.

Afinal, olhar para cima ou para bem longe no tempo e no espaço e meditar, vez ou outra, nos faz reduzir um pouquinho nosso nível de arrogância, eis que somos, individualmente, apenas uma partícula de um universo esplendoroso.

 

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