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Anjos aqui na Terra

12/05/19 08:00
João Jabbour

Como muitas das ferramentas e atividades imprescindíveis à vida, a enfermagem surgiu em uma guerra, por mais paradoxal que isso possa parecer. Florence Nightingale é o nome da mulher que simboliza esta categoria de profissionais dedicados à preservação da vida.

Ela foi uma talentosa enfermeira britânica, que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos durante a Guerra da Crimeia (1853 a 1856). É conhecida na história pelo apelido de "A Dama da Lâmpada", pelo fato de servir-se deste instrumento para auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição à enfermagem foi o pioneirismo na utilização do modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos.

Este é o marco moderno da enfermagem, porque desde que o homem é homem os cuidados com a saúde sempre existiram, embora, na maior parte da história, baseado em crenças e não na ciência.

Hoje é o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro.

Na maioria dos casos de quem está no hospital, seja o paciente ou familiar, o primeiro e fundamental sopro de esperança e alívio vem da voz calma e atenciosa da enfermeira ou do enfermeiro. Também dos auxiliares de enfermagem.

Eles são como anjos de branco, azul ou verde que chegam até nós com a serenidade que sugere seu caráter divino e resgatam em nós a expectativa de que a situação não é a pior, como temos a tendência de pensar.

Mais do isso: nos dão as primeiras explicações sobre os cuidados que a medicina está dispensando a quem tanto precisa, nos fazem respirar com mais calma e a ter a certeza de que tudo o que puder ser feito será para o restabelecimento da saúde de quem precisa.

Alguns, mais espirituosos, nos fazem rir, mesmo nos piores momentos de dor. Há alguns anos, ao sair de uma cirurgia de hérnia de hiato, o enfermeiro percebeu que eu havia voltado ao estado de consciência e anunciou, com pompa e circunstância: "Sua cirurgia de mudança de sexo foi um sucesso total!".

Na ressaca da anestesia geral, pensei durante algumas frações de segundo se havia mesmo decidido pela troca, imaginei a bronca que levaria da Fabiana, mas em seguida caí na gargalhada e isso me deixou claro que tudo estava em seu lugar, principalmente com o fim do refluxo gástrico que me atormentava há anos.

Não me lembro do nome dele, mas deve estar seguindo nesta nobre missão de ajudar aos médicos e, acima de tudo, aos frágeis seres que somos em uma cama de hospital. Obrigado, querido profissional da enfermagem! Aproveito para agradecer ao doutor Aulus Fiocchi, que fez a cirurgia. Como até feijoada com caipirinha antes de dormir e, ufa!, nada mais daquela queimação horrível na garganta e no esôfago...

Claro que nem tudo são risos e amabilidades na vida dos enfermeiros. Em muitas ocasiões, os pacientes são impacientes e os acompanhantes são indecentes. Somos movidos, por vezes, a reações emocionais, consequentemente irracionais, principalmente nas situações-limite como a hora da enfermidade. E, como em todas as áreas, há também os profissionais despreparados que potencializam a confusão.

Por isso, o melhor a fazer é ter paciência nesses momentos. Mesmo que se tenha de intervir devido a algum erro ou falha, deve-se ter bom senso, equilíbrio e ponderação. Os profissionais merecem isso de nossa parte, mesmo quando não encontram nossas veias e fazem uns furinhos a mais... Vivem em ambientes onde a tensão é constante.

Sim, a mesma prudência vale para eles.

Imagine como fica a cabeça de um/a enfermeiro/a que sabe, muitas vezes, da irreversibilidade de uma doença ou que acaba de presenciar uma morte e deve sempre manter o semblante sereno para acalmar e orientar ao mesmo tempo que medica e ministra outros cuidados... Não é vida fácil.

A eles, todo nosso respeito e carinho!

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