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Segundando

Perdidos na história

18/05/19 07:00
João Jabbour

Há quanto tempo você não vai ou leva os filhos e netos ao museu? Bastante tempo, não é mesmo? Aliás, conheço gente que nunca foi a um museu. Não há aí um problema grave. 

Trata-se de uma privação de conhecimento, que pode ser ruim ou não, dependendo de como cada um projeta sua vida. Ontem foi o Dia do Museu. O JC traz uma matéria sobre o tema na edição de hoje. 

Quando discutimos a pauta, no começo da semana, foi que nos demos conta de como eles estão relegados a um segundo plano no cotidiano do País e de nossas preocupações e prioridades. 

Ultimamente, só falamos nesses guardiões e depositários da história quando pegaram fogo ou desabaram, como o Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. Em Bauru, museus são peças decorativas, no pior sentido do termo. 

Não porque seus dirigentes e funcionários não façam um bom trabalho, mas porque nós e o governo não vamos até eles. A memória nacional é fraca, todos reconhecem. Não somos dados a preservar e muito menos a cultuar bustos, monumentos e obra de arte que marcam determinadas épocas e fatos importantes para nossa identidade enquanto povo e nação. Dizia a colegas na reunião em que discutimos essa pauta que minha impressão de leigo é que os museus têm de se reinventar rapidamente. 

Precisam, sem dúvida, muito mais do que boas ideias, é necessário que nossos governantes - e nós mesmos - acordem para a importância de preservar a memória histórica. Dei o exemplo do cinema, que estava condenado nos anos 80 e 90 com a evolução da tecnologia e o acesso facilitado às produções, notadamente com o surgimento do DVD, mas foi à luta, “se virou nos 30” e está aí, firme e forte, com muita pipoca, conforto, sons, 3D, 4D, criando uma atmosfera que nos coloca dentro do filme. Parece que uma das ideias em debate para os museus é justamente investir na interação do público com o espaço e objetos existentes nestes locais. Vou ler a matéria para saber dos detalhes. 

O modelo de gestão da cultura no Brasil tem sido uma lástima, desde sempre. E vai continuar sendo, porque o atual governo federal parece ver a cultura e a educação como ameaças e não como soluções de médio e longo prazo para termos um povo e uma nação melhores. Países como os Estados Unidos e a maior parte da Europa, para ficar apenas no ocidente, dão exemplos seguidos de preservação e valorização da história. Se os imitamos em tanto coisa, por que não na forma como investem em museus e afins? Quantos finais de semana passamos em nossa Bauru nos perguntando: “O que temos para fazer?”, “onde podemos ir hoje?”. Imagine o Museu Ferroviário e entorno, ao lado da estação da Machado de Mello, cheios de gente, eventos, feira de antiguidades e colecionadores na praça hoje deserta, mais aqueles prédios enormes com várias atividades lúdicas, recreativas, com estrutura necessária ao bem-estar. Passeios na Maria Fumaça, exposições itinerantes, a tecnologia atraindo o interesse das novas gerações a partir de realidade aumentada, por exemplo, em que o virtual interage com o real e produz experiências sensoriais incríveis. 

Entre tantas outras ferramentas tecnológicas que promovem a inclusão imediata, seja de crianças, jovens ou adultos. Museu tem de ser local de festa, alegria e trânsito de pessoas, para que a consciência coletiva seja contemplada com algo saudável e o conhecimento chegue com prazer a cada um. 

O museu pode manter sua forma clássica, mas agora com a interface digital. Assim passamos a defendê- -lo como um bem precioso, de primeira necessidade. Tudo isso não custa os olhos da cara para o poder púbico e ainda pode se tornar autossustentável. As pessoas aceitam pagar um preço justo pelo que é bom e lhes agrega, no mínimo, prazeres. O Zoológico Municipal de Bauru é um ótimo exemplo. Que tal, prefeito Gazzetta? Você passa dias e noites, sabemos, pensando em alternativas para contemplar a população com equipamentos úteis e que marquem positivamente seu governo. Isso é bacana. Mas é preciso tirar da cachimônia e do papel. As falhas, as corrigimos com os programas em andamento, como quase tudo neste Brasil desajeitado.

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