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Respeito

26/05/19 07:00
João Jabbour

"A lâmina de barbear é afiada, mas não pode cortar uma árvore; o machado é forte, mas não pode cortar o cabelo. Todo mundo é importante de acordo com o seu propósito único. Nunca menospreze ninguém, trate sempre com respeito"

O bordão acima foi reproduzido pelo brilhante professor Paulo Cesar Razuk em sua página do Facebook, anteontem. Acho que ninguém discorda, não é?!

Mas, praticamos?

Arrisco a dizer que muito relativamente, mesmo entre os de maior boa vontade. Pois depende do momento emocional e físico que cada ser deste mundo está vivenciando e está relacionado, acima de tudo, ao nosso histórico de aprendizado sobre nós mesmos e a vida.

De uma forma geral, está faltando muito respeito entre os humanos. Também acredito que esta constatação seja unânime.

Colocamos os carros na frente dos bois. Vale tudo para alcançarmos nossos propósitos nestes tempos que nos exigem o sucesso e a conquista material a qualquer custo. Vale tudo mesmo: omitir-se, negligenciar o bom-senso, a empatia, vale contar meias-verdades ou mentiras inteiras (fakes), tudo em prol de nossas razões e objetivos pessoais.

Deprimente! Que faaaase!, diria o narrador esportivo para se referir ao excesso de erros de um time.

Respeito é um dos valores universais mais importantes e tem várias aplicações. Pode-se respeitar com desprendimento, mesmo que a outra pessoa não saiba ou não te conheça; pode ser por veneração e até por subserviência ou devoção fervorosa.

Transferindo para a vida prática, respeito significa não ultrapassar os limites que nos diferenciam do outro a fim de que não o prejudiquemos. Enfim, o respeito é uma atitude que faz com que as relações entre as pessoas sejam adequadas e satisfatórias.

De uma forma mais ampla, pode-se dar a isso o nome de civilização. Inclua-se o fundamental respeito às leis e à ética. Mas não é o que vemos, nem mesmo em boa parte daqueles que ganham para que o que é público seja bem cuidado e respeitado. Virou redundância dizer isso nestes tempos nebulosos.

Até nas pequenas coisas e atitudes a falta de respeito tem tornada a vida mais chata, inclusive porque aqueles que querem viver em harmonia acabam, na maioria das vezes, calando-se para não serem vítimas de situações embaraçosas e até violentas. E assim o desrespeito vai se consolidando...

Outro dia, fui 'fechado' agressivamente por uma pessoa com um carrinho de supermercado quando estava pronto para adentrar aquelas escadas rolantes no instante em que meu carrinho se posicionava mais próximo da entrada do equipamento. Fiquei entre o espanto e a indignação, mas nem ao menos falei algo.

Será que estamos entregando os pontos? Sim.

Equivale a dizer que estamos acovardados perante a irracionalidade, a grosseria, a invasão de nossa privacidade e intimidade, e aos atentados a alguns de nossos maiores bens pessoais, como o direito à personalidade e à liberdade de ir e vir.

Só mudaremos esse estado terminal se agirmos em conjunto, se nos atribuirmos o dever de participar dos embates mais saudáveis do cotidiano, ainda que difíceis e penosos, principalmente com os instrumentos que podem mudar a realidade, como a política, por exemplo.

Mas a política ficou proibitiva, seja pela rejeição que desperta ou pelos guetos mal-cheirosos em que a maioria dos partidos políticos se tornaram. E na premência de renovação desta e de outras formas de exercer cidadania, surge muita mentira disfarçada de coisa nova. E é por isso que não é fácil participar, não é fácil mudar, mas não há outro caminho, coletivamente.

Há muito o que conquistar. Sentimentos primitivos ainda imperam entre grupos e pessoas, inclusive no meio de gente dita esclarecida. Inacreditável!

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