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Nosso 'Interiorz„o'

02/06/19 07:00
Jo„o Jabbour

Bela notícia nos traz hoje em sua coluna (no caderno Brasil do JC) o colega jornalista Wilson Marini sobre o fato de que o Interior é, comprovadamente, detentor do maior mercado consumidor do País, com 53,24% do market share da economia paulista, ou seja, mais da metade de tudo o que é consumido em bens e serviços em nosso Estado.

Até recentemente, nosso rico e belo 'interiorzão' respondia por 49,78% do potencial de consumo dos paulistas. Agora, passou a marca de 50%, ficando a outra parte, ligeiramente menor, com a Região Metropolitana de São Paulo, composta pela capital e outros 38 municípios.

Os moradores do Interior, movimentaremos em 2019 quase R$ 700 bilhões em itens como transporte, alimentação, habitação, vestuário, educação etc. Isso tudo apesar da nova e drástica estagnação da economia como um todo.

A coluna Contexto Paulista traz outros números, como a participação de nossas cidades na economia nacional, que também cresceu - de cada R$ 100,00 gastos no Brasil, R$ 13,63 foram consumidos no Interior. O estudo foi feito pelo IPC Maps, o mesmo que municiou matéria que foi manchete da edição do última quarta-feira do JC, sobre o potencial de consumo de Bauru.

Cresci ouvindo definições como "São Paulo é a locomotiva do Brasil", entre outras, que evitamos em tempos do politicamente correto para não dar margem a conotações bairrista, preconceituosa, separatista ou coisas do gênero.

Mas o que eu quero dizer é que vivemos em terras férteis, no mais amplo sentido. Vim de uma faixa de terra roxa ao sul do Estado, divisa com Paraná, a 100 quilômetros daqui, e via como naquele lugar "em se plantando, tudo dá", algo que Pero Vaz de Caminha percebeu logo que chegou ao Brasil com Cabral e imediatamente informou ao rei Dom Manuel, contando a boa nova com esta frase de efeito.

Mas não é apenas a agricultura, hoje em dia chamada de agronegócio, que sustenta nossa economia. O Estado, particularmente o Interior, agrupa todos os vetores de uma economia de 1º mundo, com tecnologia, produtividade, inovações e diversidade produtiva.

Até nosso subsolo é rico, haja vista o Aquífero Guarani, que perpassa 80% do Estado. E já que falamos em água, temos saída para o oceano, modais diversos em trnasporte e o maior porto da América Latina. Não temos o direito de reclamar tanto da sorte. Um pouco, tudo bem, vai... ninguém é de ferro.

Belezas naturais? Temos muitas também, não apenas à margem do Atlântico, mas ao longo das bacias dos rios que cortam o Estado, das formações montanhosas com vales férteis (Botucatu e Brotas, por exemplo), que nos fazem participar ativamente da indústria nacional do Turismo. Quem não praticou ao menos uma vez o turismo rural e ecológico, em tantas instâncias e hotéis-fazendo que temos por aqui, em todas as regiões paulistas?!

A culinária caipira, fruto do encontro das culturas portuguesa e índia, dá o sabor todo especial a este mosaico de opções do cardápio paulista, com delícias como o arroz de suã, cuscuz, vaca atolada, bolo de fubá, tutu de feijão, virado a paulista, broa de milho, entre tantas outras.

Muitos aqui se lembram da banha de porco na lata, que servia para conservar carnes, ficava perto do fogão a lenha, que no alto tinha a linguiça dependurada para defumar com a fumaça que subia da madeira com suas chamas vigorosas e decididas.

Enfim, este texto hoje caminhou para a exaltação da cultura paulista, já que o Marini nos deu a deixa.

Dificuldades? Há aos montes. Desmandos e incompetência na área pública, desigualdade, intolerância, como no restante do país. Mas temos neste Estado um fôlego a mais, lastreado justamente na rica economia, que se sustenta mesmo em tempos ruins.

Pegar a família, amigos e sair por aí num final de semana como este para o "turismo de um tanque" é uma excelente opção para quem não quer ficar em casa apenas descansando e constatar nossa riqueza.

Dá para conhecer muito do que falamos acima e descobrir outras preciosidades conservadas em pequenas cidades e vilarejos, beiras de estradas rurais, em fazendas preservadas ou não para o lazer e a cultura, ranchos e instâncias de águas e cascatas.

Ou seja, que Estado abençoado, como diria o caipira, devoto de São João, São Pedro e Santo Antônio.

 

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