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Opinião

'No meio do Caminhão tinha uma pedra!'

Professor Sinuhe

Carlos Drummond de Andrade previu e viu que "no meio do caminho tinha uma pedra!", assim mesmo sem vírgula, pois é dinâmico e não pausado o obstáculo do tempo dos Flintstones no meio do andar! Mas o que seria a "pedra"? Em tempos de vampiros no poder, e não se trata do Drácula de Bram Stoker, tão admirado e venerado pelo saudoso professor de História e cinéfilo Antônio Carlos Meira, é do marido da "bela, recatada e do lar" que falamos!

Há um processo de formação de palavras, uma composição que se chama aglutinação e daí, tem-se petróleo, ou seja, pedra óleo, seria essa a pedra de Drummond e hoje de caminhoneiros e caminheiros? Chegou-se ao fundo do poço e não havia petróleo, quiçá nem pedra, logo os odiados e admirados caminhoneiros, admirados por guiarem aqueles "dinossauros de várias patas "pelas estradas da vida, odiados por "fecharem" qualquer abertura nas vias e rodovias assoladas por pedágios!

Aliás, o pedágio poderia ser a pedra, serve para quê? Para onde vai o dinheiro dessa barreira, dessa cancela que obstrui sem pedir licença e leva tudo dos bolsos sem parar?

O melhor dos caminhões eram também os seus para-choques, com frases sem igual, "80ção, 20 buscar!", "Estou rezando 1/3 para encontrar 1/2 de te levar para 1/4" ou algo como "Se sua sogra é um anjo, sorte sua, a minha ainda está viva!" ou "Moro na estrada, passeio em casa!". O caminho para Campinas por Santa Maria da Serra, Águas de São Pedro e São Pedro sempre me colocou frente a frente ou atrás a atrás com os caminhoneiros, pareciam-me donos do mundo e foram nas últimas semanas, disseram não até aos brasileiros acostumados em aceitar com um afirmativo o que, há tempos, é negativo!

Já pensaram se a moda pega, um dia sem celular, uma semana boicotando o injusto preço da carne, um mês sem a TV a cabo que some a qualquer garoa, um não aos juros abusivos dos bancos que patrocinam tudo e não a todos? Somos fracos e oprimidos, somos de frascos e comprimidos, há mais farmácias que saraus, que abraços, "eles" sabem disso, somos presas fáceis de piores predadores que com a pedra causam dores! Até quando?

Os caminhões esbarraram na pedra, ela é rochosa, ela é lisa, corrupta, ela não é Brasil, ela é hipnótica, duradoura, que quebrará essa pedra?

Ainda acredito que Arlindo Orlando, um pacato caminhoneiro da cidade de Miracema do Norte, vai voltar e nos para-choques leremos: "Fora, Temer!", "Brasil, um país com educação!" e estaremos a dois passos do paraíso!

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