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Opinião

O melhor que podemos ser

Paulo Cesar Razuk

Para sustentar qualquer relacionamento é preciso respeitar o ciclo de troca, isto é, é preciso dar e receber. Há mães e pais que, mesmo com os filhos adultos, mantém a dinâmica de dar mais do que receber. E há filhos que, por sua vez, percebem os pais como fonte inesgotável de doação incondicional. É preciso que, a partir da infância, o filho seja motivado a olhar os pais como seres que podem dar, mas que também precisam receber. E os pais a precisam ter consciência de que seus filhos não são seus, mas da totalidade. Isso evitaria a formação de pequenos tiranos que, ao crescerem, podem se tornar fomentadores de injustiça e da falta de coletividade.

Há pais que precisam entender que uma criança não possui a maturidade para escolher o alimento que é melhor para sua saúde, muito menos a habilidade de discernir o certo do errado. Conta a história que um casal visitou um sábio em busca de conselhos sobre como educar o filho de doze anos. O sábio respondeu-lhes: - "Vocês vieram a mim doze anos atrasados. O ser humano é como uma árvore. Se alguém fizer um arranhão no galho de uma árvore crescida, vai marcar apenas esse galho. Mas, se vocês, pais, fizerem um minúsculo arranhão numa semente, comprometerão o crescimento da árvore inteira".

Na idade apropriada, o trabalho, seja ela qual for, leva o jovem a reconhecer o amor que recebe dos pais, a incorporá-lo e a compreender a situação dos pais que não puderam lhe dar o suficiente. O jovem também precisa enxergar o que recebe com os olhos de um adulto e não de uma criança. Pois, geralmente, a criança é insaciável e, ao identificar-se com ela, sempre achará que o que foi dado pelos pais e pelo mundo não lhe foi suficiente.

Quando os pais, ao invés de orientarem, interferem no objetivo de vida ou no trabalho dos filhos, influenciando-os de forma a desviarem de seu propósito original, eles não têm consciência de quanto estão prejudicando não só o próprio filho, mas também todo o planeta, uma vez que cada parte fora do seu propósito desarmoniza o todo. A educação, na família e nas escolas, deveria ajudar o jovem a descobrir sua verdadeira vocação, sua verdadeira essência, que é aquilo de valioso que cada ser carrega a fim de cumprir bem seus desígnios por aqui.

Ao não encontrar a sua verdadeira vocação ou não dar vazão a sua essência, o jovem sentirá insatisfação profissional. A falta de prosperidade pode ser também um sintoma, expressando que o jovem não está cumprindo a tarefa que sua alma intencionou realizar nesse mundo físico.

Há propósitos de vida que são comuns de geração para geração, mas muitas vezes o descendente não está seguindo o seu próprio propósito, mas repetindo a história de um dos pais. Por exemplo, pai médico, filho médico. Pode ser por verdadeira vocação, mas outra possibilidade é que o filho esteja reproduzindo o caminho do pai por necessidade inconsciente de aceitação, por segurança ou para se sentir amado.

Quando o filho de um rico empresário deseja ser músico ou pintor ou ter qualquer outra profissão ligada ao mundo abstrato, precisará de muita força nessa conexão com sua alma para seguir sua própria essência, contrariando os desejos egóicos dos pais. Se não tiver essa força para romper esse laço de ancestralidade, poderá passar a vida inteira correndo atrás de dinheiro sem se realizar pessoalmente.

O melhor que podemos ser é o melhor de nós mesmos.

O autor é professor titular aposentado do Depto. de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp.

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