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Bauru
Tribuna do Leitor

Histeria estéril em estéreo

Renato Ghilardi - Prof. da Unesp

Há uma nova disseminação de informação do tipo mentirosa sendo propelida pela maioria das mídias atuais. Antigamente, repórteres relatavam e colunistas comentavam o que era relatado.

Hoje há vários meios de comunicação onde os repórteres expõem considerações sobre o relato e colunistas são especialistas em dar "furos" de notícia. Vejam os exemplos da Bergamo que soltou o "furo" de caixa dois associado a mensagens via whatsapp (?) ou o exemplo de Seleme que essa semana deu a notícia que bolsas de estudo serão distribuídas segundo análises ideológicas.

São exemplos clássicos de false flags e fake news. Não achem que fake news podem ser associadas apenas às ideias simplistas de boatos. Elas são muito mais complexas. Na verdade, elas podem ser notícias tendenciosas com manchetes absurdas, relatos parciais, leituras erradas do acontecimento, uso de pesquisas e seus números em favor de um fato, utilização de especialistas para comentar assuntos aleatórios, uso de imagens favorecendo ou desfavorecendo algo, uso de palavras-gatilho e, também, boatos.

Todas têm em comum o fato de alterar a percepção da realidade do leitor a favor de algo por vezes não entendível. Pois bem, e o que um professor universitário tem a ver com isso? Muita coisa. Essa percepção da realidade alterada é trazida por nossos alunos que ainda não têm, em sua maioria, capacitação para entender o real movimento do porquê dessas fake news.

O estratagema é tão perverso que alguns entram em colapso e reverberam suas preocupações em estado histérico. Essa histeria é repassada meméticamente como gripe e, em menos de 24 horas, a gritaria por determinado assunto se torna ensurdecedora.

Um dia ou dois dias depois o pico diminui mas a sensação do momento assim como a perda do individualismo, em detrimento da sensação de coletivo, fazem com que haja a necessidade de mais desse sentimento, como uma droga. Contudo, há limites.

Conheço dois homossexuais que tiveram colapsos nervosos e tiveram que voltar para a casa das famílias pelo fato divulgado de que após a posse do novo presidente haveria caça a todos que não eram heterossexuais. Uma esdrúxula fake news que acarretou na perda da realidade a esses indivíduos que ainda estão se formando socialmente.

Hoje temos as maiores taxas anuais de suicídio entre alunos do ensino superior. O sentimento histérico, não há dúvidas, não ajuda em nada a melhoria desta situação.

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