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Opinião

Economia: cresce ou não cresce?

Reinaldo Cafeo

Esta é a pergunta do momento: a economia cresce ou não? A resposta é sim, mas há condicionantes.

Vamos por partes. Na virada do ano passado havia um consenso no mercado de que a economia brasileira cresceria em 2018 algo próximo a 1,3%. A grave dos caminhoneiros, a disputa eleitoral e as incertezas internacionais derrubaram as previsões e com o passar do tempo os indicadores de desempenho apontavam para a repetição de crescimento do ano anterior. Não deu outra: crescemos menos que o 1,3%, mais precisamente 1,1%. Não retiramos em nada o atraso na geração de riqueza no Brasil.

Com as eleições já definidas e conhecendo parte do que a equipe econômica de Bolsonaro desejava e deseja para o Brasil, o mercado se animou. O discurso liberal de Paulo Guedes, oferecendo ao mercado o diagnóstico esperado, induziu a projetar crescimento econômico para este ano na ordem de 2,5%, podendo ser mais.

Contudo, como tudo na vida, o discurso é uma coisa, a prática é outra. O ano começou, os ministérios de Bolsonaro começaram a agir e de certa maneira muitos deles e o próprio Bolsonaro "queimaram a largada". Erros e mais erros na condução política, com desgastes desnecessários. Gastaram e ainda estão gastando energias desnecessariamente.

O uso das redes sociais de maneira inadequada, família Bolsonaro intervindo demais no governo, saída de ministros e de gestores de primeiro escalão, falta de articulação política, foram alguns fatos que geram insegurança nos agentes econômicos.

Até mesmo a lentidão do Congresso Nacional contribuiu para que a se questionasse se efetivamente as coisas irão acontecer com rapidez. Estamos na metade do mês de março e agora que as Comissões Parlamentares estão se estruturando.

Se isso não bastasse, houve demora em comunicar a principal reforma, a da previdência, e por estratégia ou dificuldade em negociar, não foi apresentada de maneira completa, ficando de fora neste início à proposta de reforma da previdência dos militares.

Praticamente perdemos um trimestre. Como então esperar que as coisas na economia melhorem se ainda não tivemos nada muito contundente? Não é possível imaginar que somente a entrega da reforma da previdência será suficiente para estimular o meio produtivo a investir para valer na economia. Se não houver disposição para investir não há geração de riqueza. O emprego não volta, a economia não gira.

É preciso abrir outras frentes, como por exemplo, incentivo a construção civil. Nada que seja protecionista, longe disso, mas é possível fazer com que o crédito seja mais abundante, as condições de financiamento mais atrativas. Também aguarda-se mexida na estrutura da forma da taxa de juros. Muito foi dito e nada foi feito.

Se efetivamente queremos a coisa aconteça para valer, é preciso estimular as variáveis da matriz macroeconômica: criar condições de estimular o consumo das famílias; criar um ambiente de negócios que retire os investimentos da gaveta; mesmo com poucos recursos liberar investimentos públicos via agências de fomento; melhorar as exportações e estabelecer política de substituição de importações.

Reforçamos: a economia crescerá. Talvez não atinja os 2,5% previstos na virada do ano, mas crescerá. Mas uma coisa é fundamental: o governo não pode deixar passar este momento. Se queimou a largada ainda tem um voto de confiança para que uma nova largada, desta vez com o devido cuidado para não errar.

Devemos ainda dar um voto de confiança, contudo, vale o alerta: não há espaço para perda de tempo. Façamos o que tem que ser feito e atinjamos nossos objetivos atacando várias frentes, principalmente utilizando dos instrumentos mais fáceis de serem colocados em prática. É hora de sair do discurso e fazer a coisa acontecer. Há expectativa é dias melhores, ainda é possível apostar nisso.

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube através do canal Planeta Economia.

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