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Trânsito mais seguro é possível

Archimedes Azevedo Raia Jr.

Publicado, recentemente, o Relatório Anual sobre as indenizações pagas pelo DPVAT, em 2018, ajuda a desenhar o quadro da violência no trânsito no país. No total foram mais de 328 mil indenizações pagas, segundo os três tipos de coberturas previstas: morte, invalidez permanente e despesas médicas. Desse montante, 228 mil (69%) foram de acidentes com vítimas que adquiriram algum tipo de invalidez permanente, além de 38 mil por mortes.

Apesar dos dados sugerirem uma hecatombe, os pagamentos por mortes caíram 7%, enquanto que os por invalidez permanente reduziram 20%, em relação a 2017. Do total de indenizações pagas, aquelas destinadas aos acidentes envolvendo motos representaram 75% do total, enquanto que os automóveis contribuíram com apenas 18%.

O período das 17 às 20h foi aquele onde ocorreram mais registros que resultaram em indenizações (23%), seguido pelo período das 13 às 17h (21%). Apesar de ser um período com frota em circulação reduzida, o das 20 às 24h responde por 17%. Estes dados deixam claro que após às 12h, até o início da madrugada, os motoristas ficam mais cansados, tensos, distraídos e abusados, resultando em 61% das ocorrências. Na madrugada, mesmo com fluxo de veículos ainda mais reduzido, registra-se expressivos 10% de ocorrências.

É de extrema importância a distribuição geográfica do pacote de indenizações. A região sudeste, com 49% da frota nacional, responde por 29% dos pagamentos, enquanto que a região nordeste, com apenas 17% da frota, percebe 30%. Vale frisar que, nesta região, as motos representam 43% da frota total, ao passo que, na sudeste, elas contribuem com 21% dos veículos. Causa estupor o fato que 49% (devido a mortes) e 53% (invalidez permanente) dos indenizados usuários de motos estão na faixa de idade de 18 a 34 anos, que se insere na faixa "nobre" da população economicamente ativa. Além da dor incomensurável, perde-se muitos anos de trabalho e produção de renda para as famílias e o país.

Se, de um lado, parece haver certa tendência de mitigação na quantidade de mortes e invalidez permanente, por outro, o aumento significativo no uso de motocicletas faz com que os resultados da morbimortalidade no trânsito estejam sempre sob pressão desta arma chamada motocicleta. Fica claro que as políticas públicas de segurança viária precisam ser personalizadas a cada região, considerando os diferentes modais usados nos deslocamentos.

Em nível local, os dados de mortalidade são, de certa forma, animadores. Recente estudo do NEST/USP, considerando cidades paulistas com mais de 200 mil habitantes, apresentou Bauru no topo do ranking de segurança viária. Em 2018 e 2017, Bauru apresentou a menor taxa de mortalidade dentre 26 cidades. Em 2018, as três mais seguras foram: Bauru (3,47 mortes/100 mil habitantes), São Carlos (3,61) e Marília (4,22); em 2017: Bauru (4,84), São Carlos (5,28) e Taubaté (5,85).

De maneira geral, a taxa de mortalidade no trânsito dessas cidades reduziu bastante, sendo consoante à tendência registrada no Estado de redução na mortalidade. Mais que comemorar é se empenhar para que esses números sejam reduzidos ainda mais. Afinal, a vida é um dom de Deus e precisa ser preservada com afinco e determinação.

O autor é engenheiro especialista em trânsito e diretor de Mobilidade da Assenag.

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