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Opinião

Unir ou desunir

Bruno Svizzero Cabello

União ou associação, conjunto, soma. A tendência à união é do ser humano, assim sempre será. Em 1958 foi criada a Comunidade Econômica Europeia (CEE), constituída por seis países, no período logo após a Segunda Guerra Mundial. O objetivo era incentivar a cooperação econômica, partindo do pressuposto de que se os países tivessem relações comerciais entre si tornar-se-iam economicamente dependentes uns dos outros, reduzindo assim os riscos de conflitos.

Anos depois, em 1993, com a entrada de mais 22 países, surgiu a União Europeia, que expandiu o campo de atuação dessa organização, tratando de temas econômicos, culturais e políticos, tais como moeda única, clima, justiça, imigração, transportes, liberdade, segurança, paz, estabilidade, crescimento, democracia e estado de direito. Após mais de 25 anos de existência, surgem movimentos separatistas, com o resgate de exaltação de valores como soberania e nacionalismo. Nesse contexto está o Brexit.

No anseio de separação do Reino Unido da União Europeia, vemos que as autoridades se esqueceram de um detalhe: as relações comerciais saudáveis e necessárias ao desenvolvimento de qualquer nação obrigatoriamente demandam concessões. É assim na vida, é assim no mundo dos negócios. Se a soberania prevalecer a qualquer custo, instala-se o impasse e o prejuízo é de todos.

A população do Reino Unido está dividida, pois não tem um consenso sobre o Brexit. Nota-se que alguns imaginavam que seria o melhor dos mundos, com uma separação simples e resgate de valores suficientes para a continuidade da vida, mas não é bem assim.

Como disse Yuval Noah Harari, em sua obra "21 lições para o século 21", os partidários do Brexit sonham em fazer da Inglaterra uma potência independente, como se ainda vivessem na época da rainha Vitória e como se o "isolamento esplêndido" fosse uma política viável na era da internet e do aquecimento global.

Sabe-se que nenhum país é uma ilha, pois todos dependem de ideias, recursos, pessoas, bens e serviços dos outros. Com a interligação dos mesmos, as nações dialogam, estabelecem tarifas, acessos, ou seja, modus operandi entre os países. Já com a saída do bloco, pode-se gerar uma diminuição no PIB britânico, aumento da inflação, revolta dos outros países, redução no fornecimento de alimentos e medicamentos, devido ao controle maior entre as fronteiras etc.

Dessa forma, pensando no indivíduo como pessoa, sujeito a unir ou desunir, desde os primórdios a organização em famílias, povoados e aldeias era baseada na necessidade de sobrevivência. Com o advento dos Estados, cidades e países, intensificou-se o estabelecimento de fronteiras e disputas por território. Ocorre que, no mundo atual, a situação é diferente, uma vez que as tecnologias aproximaram os povos, tornando as relações comerciais muito abrangentes e interdependentes, com praticamente impossibilidade de rompimento. É o mundo plano, citado por Thomas Friedman.

O Reino Unido, que no próprio nome carrega a união, carece de reconciliação com seus semelhantes e aceitação do sistema atual, tendo como fio condutor a cooperação, para preservar a democracia, ou sairá fragilizado.

O autor é advogado, pós-graduado pela PUC/SP e empresário.

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